A escassez de mão de obra qualificada é uma das principais preocupações da indústria brasileira. Esse cenário é confirmado por pesquisa recente da CNI, que aponta o problema como um dos mais relevantes para o setor, ficando atrás apenas da elevada carga tributária, dos juros altos e da demanda interna insuficiente.

Mesmo com o Brasil registrando a menor taxa de desemprego desde 2012, a dificuldade para encontrar profissionais qualificados persiste e se intensifica. Este é um gargalo estrutural, com impacto direto sobre a competitividade da indústria e sobre sua capacidade de crescimento sustentável. A falta de trabalhadores preparados compromete decisões estratégicas, limita investimentos e reduz a eficiência produtiva.

Na tentativa de enfrentar esse desafio, muitas empresas têm investido ainda mais na capacitação e na reciclagem de seus colaboradores. No entanto, um dos principais entraves está na baixa qualidade da educação básica, que dificulta a aprendizagem técnica e, muitas vezes, gera desinteresse pela busca de qualificação continuada. Somado a isso, está o avanço acelerado da digitalização, que exige atualizações constantes e competências cada vez mais complexas.

A busca por mão de obra qualificada sempre esteve no radar das indústrias, mas ganhou maior relevância nos últimos cinco anos, especialmente no período pós-pandemia. Dados da Sondagem Industrial da CNI mostram que, entre 2015 e 2020, essa preocupação girava em torno de 5%. Mais recentemente, o índice avançou significativamente, alcançando 23% das menções.

Nesse contexto, o fortalecimento de parcerias institucionais é fundamental. O Senai, assim como outras instituições de ensino, é um parceiro estratégico e pode contribuir de forma decisiva para a qualificação de talentos e para o desenvolvimento do setor produtivo brasileiro, mas a educação básica é o alicerce de tudo. Para mudarmos esses resultados é preciso a integração e comprometimento de todos. 


Renato Rissoni é diretor regional do CIESP Alto Tietê