Um pouco abatido fisicamente, o prefeito de Mogi das Cruzes, Marcus Melo (PSDB), fez um pronunciamento pelas redes sociais no sábado passado para informar que ele e a esposa, Karin Melo, foram diagnosticados com coronavírus. Sensato, Melo não fez alarde sobre a situação, apenas esclareceu - como manda o figurino - que vai ficar recluso em sua casa, cumprindo a quarentena, e que continuará trabalhando por home office, atendendo secretários e coordenando as ações de combate à pandemia na cidade.
Ao contrário da postura do prefeito mogiano, digna de qualquer cidadão público que tenha respeito por aqueles que o elegeram, o presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), segue fiel à sua linha do "e daí?". No sábado passado, mais uma vez, contrariando inclusive as recomendações sobre o isolamento social de seu ministro da Saúde, Nelson Teich, Bolsonaro decidiu dar uma volta de jet ski pelo lago Paranoá, nas margens do Palácio da Alvorada. Enquanto isso, o país superava a marca dos 11 mil mortos por consequência da doença. Foi uma afronta.
O presidente tem colecionado agruras durante o período da pandemia. Desde o início, quando classificou de "gripezinha" a Covid-19, até a recusa, por recursos jurídicos, de mostrar o resultado de seus exames de coronavírus, Bolsonaro parece tripudiar sobre o sentimento das famílias que perderam parentes para a doença. Pior que isso, no domingo, questionado em frente a simpatizantes sobre a possível abertura de inquérito para o seu impeachment, o presidente, como de costume, respondeu de forma irônica, dizendo que só entrega o poder em 1º de janeiro de 2027. Do alto de sua arrogância, Bolsonaro está seguro de que sobrevive até o final do mandato e ainda será reeleito para a Presidência.
Em um dos momentos mais críticos da história recente da humanidade, quando o mundo inteiro está preocupado em encontrar soluções para a crise sanitária e econômica, ter um presidente que debocha dos brasileiros com suas atitudes irresponsáveis já nem deve mais ser levado a sério. O melhor é enaltecer ações corretas, como a de Melo, de mostrar que ele mesmo foi infectado pela Covid-19. Na crise, transparência é tudo.