A deputada federal Carla Zambelli (PSL) e os delegados Carlos Henrique Oliveira de Sousa e Alexandre da Silva Saraiva prestaram depoimento ontem à Polícia Federal, em Brasília, no âmbito do inquérito sobre suposta tentativa de interferência do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) na corporação. As oitivas marcaram o terceiro dia de depoimentos na investigação sobre as acusações feitas pelo ex-ministro Sergio Moro.
Em seu depoimento, a parlamentar negou que tenha conversado com o presidente Bolsonaro sobre uma possível indicação de Moro para uma vaga como ministro no Supremo Tribunal Federal (STF) em contrapartida para que ele aceitasse o nome do delegado Alexandre Ramagem para a direção da PF.
O delegado Carlos Henrique Oliveira, ex-superintendente da PF do Rio e atual diretor-executivo da corporação, negou em depoimento que a saída de seu antecessor na superintendência fluminense, Ricardo Saadi, se deu por "questões de produtividade". A acusação foi feita pelo presidente Jair Bolsonaro em agosto do ano passado, que tentou emplacar um nome de sua escolha para comandar a corporação.
Oliveira afirmou que a exoneração de Saadi foi antecipada em agosto do ano passado sem justificativa clara. Segundo ele, a produtividade da PF do Rio "vinha evoluindo, tendo alcançado a sua melhor classificação durante a gestão de Saadi". Ele negou ter recebido pedidos de informações sobre inquéritos relacionados a familiares de Bolsonaro e disse que, enquanto foi superintendente no Rio, só tinha conhecimento de uma investigação no âmbito eleitoral, 'que já foi relatado e não houve indiciamento'.
O inquérito sigiloso envolve o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ), e apurou suspeita de lavagem de dinheiro e falsidade ideológica eleitoral ao declarar bens nas eleições de 2014, 2016 e 2018. Os resultados da investigação foram encaminhados em março para a Justiça Eleitoral. (E.C.)