A situação no Ceará está se mostrando calamitosa, no que diz respeito à segurança pública. Buscando melhores condições salariais, policiais têm se envolvido em atos de badernas, que extrapolam àqueles já vistos em situações semelhantes.
Em atitude digna de gangsteres, covardemente, cobriram os rostos com máscaras, e na tônica do que ocorre nos morros cariocas, saíram às ruas determinando "toque de recolher" aos comerciantes que se preocupavam, apenas, com o ganha pão diário.
Mais que isso, armados, invadiram quartéis, e, escudados atrás das saias e dos medos das famílias que levaram a tiracolo, transformaram-nos em praça de guerra. Aliados a isso, recrudescendo o beligerante movimento, contaram com a anormal atitude de senador da República que, tresloucado, a bordo de motoniveladora, tentou remover os obstáculos que impediam o ingresso na organização militar - o que faria se conseguisse o seu intento, efetivamente, não se sabe.
A mim assusta que os milicianos, para a prática dos escabrosos atos tivessem de esconder o rosto. Sou de um tempo em que o agente da lei, a não ser em situações excepcionais - o que não é o caso -, se apresentava de "cara limpa", sem recorrer a subterfúgios como os narrados.
Venho de uma época em que o miliciano - no bom termo da palavra - em vez de levar o pânico à sociedade, cuidava de defendê-la ao custo da própria vida, em que as unidades militares eram sedes da ordem e respeito, e não centros de inconcebíveis revoltas. E, se falo em "revolta", é porque a legislação militar pune criminalmente tais atitudes - pesem as anistias posteriores, sempre tendo em vistas projeção política de seu propositor, o que desnatura a condenação.
Da mesma forma, não se pode absolver aceitar o "Senador Rambo" - aquele mesmo que, enquanto governador, utilizava aeronaves do Estado para passeios ostentosos, dos quais fazia parte até a sogra - que, no mínimo, deveria responder pela quebra do decoro.
Nesse jogo de interesse e aberrações, ninguém tem razão. Que o diga a sofrida população cearense.