Usuários do transporte público de Itaquaquecetuba estão reclamando do aumento no valor da tarifa da rede municipal de ônibus. A bandeira também foi levantada pela Câmara de Vereadores, que cobrará a Prefeitura de Itaquá sobre o novo preço, que passou de R$ 4,10 para
R$ 4,40, um aumento de 7,31%. A justificativa do Executivo é que a cidade passou por dois anos sem reajustar o valor da passagem, sendo assim, utilizou o período acumulado de inflação para promover a atualização. O problema está na conta, uma vez que para o período de dois anos, a inflação acumulada é de 6,7%, sendo 3,75% para 2018 e 2,95% para 2017, segundo a medição oficial do Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). Logo, houve aumento da passagem e não reajuste.
A qualidade dos transportes públicos, não só no Alto Tietê, mas em vários municípios brasileiros, vem crescendo a olhos vistos, o problema é que esse crescimento não acompanha a demanda da população. Cobrar caro por um sistema de ônibus que possui atrasos no itinerário e lotação dos veículos desestimula todos a utilizar esse meio de locomoção. Ainda que não atenda a demanda de forma vascularizada como faz os coletivos, os trens acabam recebendo a preferência do público, mesmo também sofrendo com os altos preços e falhas no sistema, mas ainda assim, mais confiáveis do que os ônibus.
Talvez o morador da região não se incomodasse em pagar um valor acima dos
R$ 4 se ele pudesse ter ar-condicionado, mais oferta de lugares, rapidez nas viagens, e, por que não dizer, a volta da função do cobrador. Esse profissional foi retirado dos veículos em várias cidades, por conta de custo das empresas, e sobrecarregou o motorista, que agora precisa cobrar os passageiros e prestar atenção no trânsito ao mesmo tempo.
A expectativa é de que um dia isso possa melhorar e os usuários possam utilizar o ônibus e sair dele sem qualquer reclamação, mas para isso acontecer, muita coisa precisa mudar, a começar pelo preço da passagem.