O presidente Jair Bolsonaro afirmou ontem não temer o vazamento de informações do seu celular, que também foi alvo de ataques pelo grupo de hackers preso na última terça-feira, segundo o Ministério da Justiça Em visita a um colégio militar em Manaus Bolsonaro disse que sempre tomou cuidado com as informações estratégicas.
"Sempre tomei cuidado nas informações estratégicas. Essas não são passadas por telefone. Então, não estou nem um pouco preocupado se por ventura, algo vazar do meu telefone, não vão encontrar nada que comprometa. Por exemplo, o que estamos tratando com outro Estado como a Venezuela, as questões estratégicas para o Brasil, isso é conversado pessoalmente em nosso gabinete. Perderam tempo comigo", disse Bolsonaro.
O Ministério da Justiça disse ter sido informado pela Polícia Federal que aparelhos utilizados pelo presidente Bolsonaro foram alvos de ataques pelos hackers. Segundo o jornal O Estado de S. Paulo apurou, a informação foi transmitida pelo ministro da Justiça, Sergio Moro, a Bolsonaro em uma reunião anteontem. O ministro colocou a situação como gravíssima. A PF está aprofundando as investigações para ver a extensão dos ataques criminosos. O jornal adiantou nesta quinta que Bolsonaro poderia estar entre os alvos do grupo hacker. Apesar de a nota não dizer quando os celulares do presidente foram alvos de ataque, a reportagem confirmou, em seguida, com o próprio ministério, que as ações de hackers se deram em um período em que ele já estava na Presidência da República.
O Ministério da Justiça ainda não tem a confirmação sobre se o conteúdo dos celulares do presidente chegou a ser extraído pelos hackers. Ao menos dois aparelhos celulares foram alvo dos ataques.
Araraquara
A primeira vítima de Walter Delgatti Neto, o "Vermelho", preso na terça-feira, suspeito de invadir celulares de autoridades, foi um promotor de Araraquara Marcel Zanin Bombardi. "Vermelho", segundo pessoas que tiveram acesso ao seu depoimento, disse que, a partir dos contatos do aparelho do promotor, teve acesso a outros números de autoridades.
Conforme informou o jornal O Estado de S. Paulo nesta quinta-feira, 25, "Vermelho" afirmou aos investigadores da Operação Spoofing ter dado acesso ao jornalista Glenn Greenwald as informações capturadas do aplicativo Telegram.