A abertura de rodovias interligando cidades sempre serviu como mola propulsora para o desenvolvimento das regiões em questão. No entorno das ligações, vão brotando, gradativamente, residências, pequenos comércios para atender os moradores e indústrias que absorvem a mão de obra disponível. Essa sequência de fatores é comum e milenar, tendo sido observada pelos sociólogos no mundo inteiro.
No século passado, porém, essa espécie de ciranda de evolução acontecia sem uma preocupação urbanística, o que levava as ocupações a surgirem sem nenhum critério de infraestrutura, conduzindo a situações caóticas de saneamento básico. Falta de legislação adequada e desprezo à fiscalização contribuíram para agravar o problema.
Quando os órgãos públicos passaram a planejar o desenvolvimento, os resultados positivos ficaram mais evidentes. Essa é apenas uma das características que pode ser observada no recém-inaugurado corredor Leste-Oeste, ligação entre os municípios de Mogi das Cruzes e Suzano. Como a obra completa foi realizada em várias etapas, em épocas diferentes, é possível perceber o quanto as autoridades são limitadas a questões temporais, sem se preocupar com o desfecho integralizado da construção.
O último trecho entregue em Mogi, a avenida das Orquídeas, de 3,5 quilômetros de extensão, possui pistas separadas por canteiro, várias faixas para velocidades diferenciadas, calçadas para pedestres, iluminação e, mesmo que improvisadas, ciclovias em boa parte do percurso. Foi construído dentro de regras que levam em conta questões ambientais e de preservação da fauna. Já o trecho mais antigo, em Suzano, carece de uma manutenção urgente após mais de 20 anos de funcionamento. É estreito, está com o asfalto deteriorado e a vegetação invadindo a pista. O contraste entre as duas partes é notório.
Para que a ligação tenha o efeito desejado, o de desafogar o trânsito na superada rodovia Henrique Eroles (SP-66), será preciso reduzir essa diferença. Caso contrário, a obra está fadada a cair no desuso e se tornar, como em boa parte de outras regiões no país, em exemplo de desperdício.