O Itaú parece mesmo estar de malas prontas para São Paulo. A confirmação foi passada pelo dono do imóvel, onde hoje está a sede administrativa do banco, no que se refere aos sistemas de leasing e cartão e de crédito, Elias El Ghossain, destacando que a instituição financeira deve deixar Poá até o final deste mês.
Com a saída do banco, a prefeitura perderá cerca de 40% do orçamento anual, aproximadamente R$ 157 milhões, arrecadados por meio de pagamento de Impostos Sobre Serviço (ISS) com operações de leasing e cartões. Sendo assim, a saída do banco deverá trazer um baque financeiro ao município e forçará o poder Executivo a encontrar um novo caminho para suprir a falta desse dinheiro. Seria bom se a solução viesse o mais rápido possível para dar uma rápida resposta à população, mas isso até agora não ocorreu.
A história da saída do Itaú da cidade começou a ganhar corpo quando uma investigação foi promovida por uma Comissão Especial da Câmara de Vereadores de São Paulo sobre sonegação de impostos. Em uma visita da comissão do Parlamento paulistano a Poá, foi constatado que 14 funcionários estariam trabalhando no local, número muito abaixo do que imaginava a comissão.
Para tentar rever o quadro, um grupo de acompanhamento foi criado pela Câmara de Poá, mas até agora nenhuma reunião, trabalho ou documento foi produzido. Já a Prefeitura de Poá preferiu não se manifestar, alegando que somente se pronunciaria se o banco emitisse algum comunicado, mas uma apuração feita pela nossa reportagem, junto ao proprietário do prédio, mostrou que o Executivo já sabia da saída da instituição.
Os moradores do Alto Tietê devem e merecem saber de todas as ações tomadas pelas prefeituras da região e, principalmente, de ações que vão impactar negativamente nas receitas das cidades por um bom tempo.
Ainda é cedo para tocar no assunto, mas falta pouco mais de um ano para as eleições municipais e verificar o nível de transparência dos nossos políticos é algo que deve ser feito o quanto antes. Isso vale tanto para os prefeitos quanto para os vereadores.