Se estivesse em um curso de graduação, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) teria encerrado o primeiro de seus oito semestres de estudo em situação, no mínimo, delicada. Depois de passar com méritos pelo vestibular, o estudante-aprendiz ingressou na faculdade como promessa de um aluno exemplar, cuja imagem de garoto disciplinado nos estudos foi amplamente defendida nos anos anteriores. Além disso, ele aparentava ser um adolescente cumpridor das regras institucionais e de obediência cega à hierarquia acadêmica, respeitando seus superiores e fiel no relacionamento com os colegas.
Na prática, não foi isso que aconteceu. O calouro contrariou todas as expectativas, burlou o regimento escolar ao tentar impor sua filosofia de trabalho e teve sérios desentendimentos com outros estudantes, chegando, inclusive, a trocar ofensas verbais com os amigos durante os intervalos das aulas. Só não partiu para as vias de fato por interferência astuta de veteranos, soldados do experiente grupo do "deixa disso". Nas aulas, o quadro foi ainda pior. O aluno Bolsonaro mostrou sérias dificuldades de aprendizado, com baixíssima capacidade de assimilar os ensinamentos dos professores.
Apesar de ver reduzido o grau de confiança do seu projeto acadêmico, ele ainda mantém boa parte dos seguidores, confiantes no certificado de conclusão com nota de louvor. Para muitos, não importa o percurso dos estudos, mas a qualificação. Se, mesmo com notas baixas em algumas disciplinas o aluno for aprovado, terá valido o esforço. Na atual conjuntura brasileira, basta uma avaliação mediana para ingressar no mercado de trabalho, que oferece, em contrapartida, carreira limitada e baixos salários.
Na reunião do conselho de classe, ao final do primeiro semestre, o corpo docente passou algumas recomendações explícitas ao aluno. Em primeiro lugar, ele deve estudar mais, fazendo da leitura assídua a elevação de seu vocabulário e repertório. Depois, evitar os conflitos com outros estudantes, para melhorar a harmonia e o ambiente escolar. Por fim, os professores alertaram para o risco de, se não se comportar melhor, o aluno pode não chegar ao final do curso.