Seis meses foram suficientes para infectar mais de 700 moradores do Alto Tietê com o vírus da dengue. Esse número é mais de 1.000% superior ao mesmo período do ano passado, quando foram registradas 64 pessoas da região com a doença. Estão incluídos aí tantos os casos contraídos nos municípios da região quanto lugares de fora dos limites das dez cidades. Os dados completos sobre essa explosão do vírus espalhado pelo mosquito Aedes aegypti estão bem detalhados em nossa reportagem de hoje.
Mas o que pode ser interessante pontuar é que a sociedade passa por ciclos. Embora pareça assustador esse crescimento - e de fato é - esse aumento pode estar relacionado ao fato da despreocupação da população quanto à proliferação do mosquito. O maior surto ocorreu justamente entre os meses de maio e junho, quando o período de chuvas começou a diminuir, entretanto, segundo informações das prefeituras consultadas pela reportagem, ainda no início do outono choveu mais do que o esperado, o que pode ter surpreendido muita gente.
Outro fator atribuído ao aumento está relacionado diretamente aos casos notificados que, depois de análises, foram confirmados como positivo e engrossaram os números do Alto Tietê. Vale lembrar que tudo isso ocorreu mesmo com ações das administrações municipais, como fiscalização em imóveis, além de campanhas de conscientização.
Talvez seja possível imaginar que o maior problema ainda esteja relacionado com a despreocupação que parte dos moradores da região tem em relação a criar condições para que o Aedes aegypti possa depositar os ovos. O fenômeno pode estar relacionado àquela velha máxima de que "isso nunca vai acontecer comigo", o mesmo vale para o movimento antivacina, mas o mosquito não conhece divisas ou fronteiras e, mesmo que ações para impedir o criadouro do mosquito em uma determinada cidade seja melhor do que a vizinha, o inseto pode muito bem ultrapassar as divisas e espalhar o vírus. Mesmo que as chuvas tenham diminuído, baixar a guarda para o Aedes parece não ser uma boa ideia.