A interpretação de dados estatísticos sempre foi um desafio para os especialistas em análise e avaliação de resultados. Existe uma prática na ciência dos números que separa as pesquisas em dois momentos. O primeiro, representado pela coleta de informações, possui caráter mais objetivo e exato, realizando o levantamento e tabulação de dados e tratando do assunto de forma quantitativa. Se dispõe, por meio de fórmulas simples, a relacionar tópicos em colunas e linhas, estabelecendo porcentagens na relação entre os universos pesquisados.
O segundo momento, de teor subjetivo e interpretativo, faz leituras diferenciadas para o resultado do levantamento. Neste aspecto, os números dançam conforme a ótica de cada estudioso. Trocando em miúdos, é o que se costuma questionar sobre o copo meio cheio ou meio vazio, pois tudo depende da forma como se pretende enxergar os dados. Essa oscilação é bem visível em pesquisas eleitorais e análises econômicas, campos que são influenciados por ideologias opostas e possuem infinitas entrelinhas. Assim, fica evidente que nem sempre o que se mostra é aquilo que se quer ver.
De acordo com a pesquisa divulgada na quarta-feira pelo Centro das Indústrias do Estado de São Paulo (Ciesp), as cidades do Alto Tietê contabilizaram 300 postos de trabalho abertos no segmento durante o mês de abril, o que representa um crescimento de 0,48%. Após dois meses seguidos de queda, o índice, mesmo que ínfimo, é positivo, o que por si só deixa a economia animada. Entretanto, esta é a leitura mais imediata dos resultados, porém, ao relacioná-los com períodos mais amplos, fica praticamente impossível chegar à uma conclusão mais objetiva. A oscilação registrada nos últimos meses não permite nenhum tipo de afirmação.
Considerando as elucubrações dos economistas brasileiros, alimentadas por um governo que sucumbe ao próprio discurso contraditório, nada melhor do que dar tempo ao tempo e deixar a ventania passar. Enquanto isso, até que a política se assente, o mais indicado é olhar os números e não gastar muito tutano para interpretá-los. O bom exemplo vem de cima.