Esta é a primeira bem-aventurança anunciada por Jesus no Sermão do Monte: "Bem-aventurados, ou felizes, os humildes de espírito, porque deles é o reino dos céus" Mateus 5:3.
Sendo primeira, serve de chave para a compreensão das outras bem-aventuranças. Jesus não as pronunciou ao acaso, mas numa sequência bem definida, ou seja, lógica e espiritual. Todo verdadeiro cristão tem de ter a qualidade de "humilde de espírito". Todas as virtudes das demais bem-aventuranças resultam dela e indicam um esvaziamento, ao passo que as demais apontam para uma plenitude. Não podemos ser cheios enquanto não formos primeiramente esvaziados. O odre tem de estar vazio a fim de poder se encher de vinho novo.
O Evangelho exibe duas facetas: derrubamento e edificação. O idoso Simeão tendo a criança Jesus nos braços, no templo, profetizou a Maria: "Eis que este é posto para queda e elevação de muitos" - Lucas 2: 34. O aniquilamento vem antes da elevação. A convicção do pecado sempre deve anteceder a conversão. O Evangelho de Cristo condena o pecador antes de libertá-lo. Serve também para aquilatar a nós mesmos, espiritualmente, perante a mensagem das virtudes do Sermão do Monte.
As bem-aventuranças não são uma filosofia de vida que bem aplicada traria felicidade a qualquer pessoa, e não é algo que se possa realizar sozinho, e, assim, forçar aparecer entre os homens virtudes do reino de Deus. O homem natural não pode praticar o sermão do Monte sem que tenha havido uma transformação espiritual em sua vida por parte de Deus. Muitos querem dar uma nova versão ao versículo: "Bem-aventurados em espírito são os pobres..." e não como "pobres de espírito".
Lucas 6:20: "Bem-aventurados vós, os pobres, porque vosso é o reino de Deus". Seria isto uma apologia à pobreza? Pobreza não é garantia de espiritualidade; Jesus estava se referindo aos "humildes de espírito", àqueles que não exibem a soberba do mundo e não dependem das riquezas materiais, mas do cuidado de Deus.