Fuzil. Termo que, até há alguns anos, os moradores da região do Alto Tietê só ouviam em matérias jornalísticas que retratavam a triste realidade das favelas do Rio de Janeiro ou dos países em guerra.
Ocorre que, com o passar do tempo, sinais da circulação do equipamento bélico pela região surgiam na medida que, em operações pontuais, policiais passaram a encontrar e apreender fuzis. Mas foi no ano de 2014 que os integrantes das forças policiais locais passaram a enfrentar a potência e a letalidade de tal armamento.
Equipamentos forjados para a guerra e que chegam às mãos dos criminosos com razoável facilidade, o fuzil possui alto poder destrutivo e, dependendo do modelo, as balas alcançam distância de aproximadamente 2km, ainda com potencial letal.
Segundo especialistas no assunto, uma vez atingido o corpo humano, a alta velocidade rotacional da bala provoca uma cavidade temporária. É como se abrisse um vácuo no corpo da vítima e, em seu trajeto, além de destruir as cavidades internas, pólvora, detritos e pedaço da roupa acabam sendo sugados.
Coletes a prova de bala e latarias de veículos não são capazes de impedir tamanho poder de perfuração e destruição.
Assim foi quando policiais de Salesópolis e Biritiba Mirim, em 2014, tentaram conter a fuga de parte de uma quadrilha que praticou roubo a um shopping center de Caraguatatuba. Determinados, os criminosos enfrentaram os bloqueios policiais e, mediante o uso de fuzis, conseguiram transpô-los, deixando três policiais militares feridos.
No final do mesmo ano, em Suzano, criminosos efetuaram diversos disparos de fuzil contra uma viatura da Ronda Escolar, sendo seus componentes gravemente feridos. Nos anos seguintes, foi a principal arma utilizada pelos criminosos nos atentados em Mogi das Cruzes, Suzano, Salesópolis e, recentemente, Guararema, cujos resultados não foram mais graves devido à rápida articulação, preparo dos profissionais de polícia e, no último episódio, auxilio dos sistemas inteligentes de órgãos estaduais e do monitoramento do município.