Bolsonaro se fez de vítima do Congresso Nacional e "convocou" a militância para manifestação pública em 26 de maio. Uma resposta às significativas manifestações contra os cortes nas verbas da Educação e que se tornou o primeiro ato público contra o governo. Diz, nas entrelinhas o que todo mundo sabe, mas que o presidente não pode dizer, o Congresso atrapalha qualquer governo.
Ao invés de negociar e ceder nacos de poder, como todos sempre fizeram, Bolsonaro resolveu bater na mesa e aparentemente conseguiu um recuo do Congresso que sinaliza não emperrar tudo. Como deputado há 30 anos, Bolsonaro sabe mais do que ninguém como funcionam as coisa em seu habitat natural. Não estamos num regime ditatorial onde o presidente fala e todos dizem amém. Estamos em uma democracia e o Congresso tem um poder enorme e o melhor exemplo é Dilma, que foi jogada para fora do Palácio por Cunha, hoje preso em Curitiba.
É notório que o Congresso quer poder, mas precisa acertar o passo. Devagar, não é hora de colocar o pé no pescoço do presidente nos primeiros minutos do primeiro tempo. Por mais decepcionante que seja o início do governo, com indicadores péssimos, metade da torcida ainda está com Bolsonaro. Demonstrar má vontade ou força política agora pode ser um péssimo negócio num confronto direto com o presidente, pois uma coisa é certa, se metade dos eleitores não gostam de Bolsonaro, 100% deles não gostam do Congresso.
Já convocar manifestações públicas em favor do governo é plagiar Collor, que em 1992 pediu ao povo para sair às ruas com as cores da bandeira e colheu multidões vestidas de preto com caras pintadas. Há esse risco em 26 de maio, há o risco de uma nova greve dos caminhoneiros e de azedume geral da opinião pública se nada melhorar no segundo semestre. Está na hora da política, ou teremos instabilidades que é tudo o que não precisamos. Uma agenda positiva e realizações é o que se espera, porque de negativa, já basta a dura realidade dos brasileiros.