Aprovada pela Comissão de Constituição e Justiça (CCJ), a reforma da Previdência segue para Comissão Especial da Câmara dos Deputados onde será discutido o mérito da proposta. Agora tem início o debate sobre o conteúdo da reforma e o seu alcance.
A tarefa de aprovar a reforma tal qual foi proposta não é fácil, pois muitos pontos já caíram na própria CCJ, onde se avalia apenas as questões constitucionais e de legalidade. Agora o debate será muito mais amplo e cada grupo interessado e manter seus privilégios ou garantias exercerá sua pressão política. A ideia de que a reforma é necessária e indispensável, não encontrará eco no Congresso, onde cada parlamentar irá defender seu grupo eleitoral. Os benefícios assistenciais e a aposentadoria rural são pontos que dificilmente serão alterados, por atingir eleitores de grande parte dos deputados. Associações de magistrados e promotores já se articulam para tentar barrar o aumento de suas alíquotas de contribuição para a Previdência. Assim, a reforma será desidratada e isso faz parte do processo político de negociação.
A reforma já foi enviada prevendo o mais para que seja aprovada com o menos. O próprio presidente da República não a defende abertamente, pois também atinge seu nicho eleitoral, os agentes de segurança e as Forças Armadas. A ideia de poupança individual torna a Previdência Social uma previdência privada, onde cada segurado irá constituir um fundo individual que proverá sua previdência futura, o que, na prática, pode resultar em nada. Tal sistema é inviável no Brasil, onde o trabalho informal é a regra e o desemprego é gigantesco. É por isso que o atual sistema se chama previdência social, onde empregados e empregadores contribuem a um fundo comum em benefício de toda sociedade. Esse sistema precisa ser mantido, com mecanismos de controle e cobrança mais eficazes, principalmente dos grandes devedores. Mas isso parece não estar previsto. Só se mira na saída de recursos aos beneficiários mas não se preocupa com a entrada de recursos no sistema.