Jesus disse que o homem não morre pelo que entra em sua boca, mas pelo que sai dela. Nesse aspecto, o Brasil e o mundo ouvem estarrecidos as declarações do clã Bolsonaro. O presidente talvez ainda não tenha a exata dimensão da importância do cargo que ocupa e do peso de suas declarações. De duas uma: ou não sabe mesmo, ou faz de propósito, criando polêmica para disfarçar a inércia e apatia de seu governo, que não realizou nada de concreto até hoje.
Declarações polêmicas cabiam bem quando era um deputado do baixo clero, sem qualquer expressão política, e precisava delas para ter alguma visibilidade. Mas hoje, toda a visibilidade do Brasil está nele, ele representa nossa nação e suas palavras representam o nosso país. Todo cuidado é pouco, não precisamos mais de frases de efeito, não estamos em campanha eleitoral, precisamos de gestão, de governo de mudança de rumos. Só o discurso não reativa a economia, não gera investimentos, não gera empregos e renda. É preciso ação. Ficar posando com armas nas mãos não resolverá o problema, é melhor começar a usar a caneta.
O discurso de que não fará a velha política é só isso, um discurso, não adianta querer a nova política se os políticos são velhos. Só há nova política com novos políticos e isso não temos, a começar pelo presidente que, durante 30 anos, foi deputado federal e sabe muito bem como se joga o jogo. Melhor parar de falar e começar agir, distribuir as emendas parlamentares, distribuir os cargos, fatiar o poder e fazer o que tem de ser feito. Bolsonaro precisa entender que ele não é um monarca, é apenas o chefe do poder Executivo e irá conviver com os outros dois poderes de República, o Legislativo e o Judiciário. Ou caminham juntos, convergindo seus interesses ou ficaremos estagnados.
O Brasil precisa de reformas e elas passam pelo Legislativo e nada mudará radicalmente, mas é preciso começar. Melhor ir devagar do que não ir, governo não é iniciativa privada, decisões devem ser negociadas, isso não se chama velha política, isso se chama, apenas, política.