Em diferentes momentos da história a prática do denuncismo ganhou visibilidade. O incentivo ao patrulhamento e denúncia daquele que supostamente está em desacordo com determinados "valores" levavam as pessoas a fazerem denúncias contra parentes, vizinhos e amigos, criando um ambiente de insegurança e desconfiança.
Com o final da Segunda Guerra Mundial e a polarização entre nações comunistas e capitalistas, o mundo passa a conviver sob o signo da chamada Guerra Fria. Nos EUA, por exemplo, esse ambiente favoreceu a perseguição daqueles que tiveram qualquer relação com comunistas.
O maior expoente do incentivo a essa perseguição foi o senador Joseph Raymond McCarthy, que conseguiu aprovar leis que determinavam o controle e a imposição de penalidades contra aqueles que tivessem algum envolvimento com "atividades antiamericanas".
A ascensão do Fascismo e do Nazismo também exibiu esse componente. Na Alemanha de Hitler, na Itália de Mussolini e na Espanha de Franco, também era comum a prática de denúncia contra aqueles que não eram simpáticos aos governos, sendo que quem denunciava o fazia para ficar bem com aqueles que detinham o poder.
No Brasil, logo após o golpe de 1964, tivemos o mesmo fenômeno. Muitas pessoas que em algum momento tiveram alguma relação com os agrupamentos de esquerda, independente do tipo de vinculo, também foram perseguidos e denunciados.
No entanto, o que vem acontecendo hoje no país é muito preocupante. Principalmente quando o principal foco de perseguição são os professores. E mais grave ainda que tal prática seja incentivada e publicizada por autoridades. É muito assustador isso.
Embalados por um movimento esdrúxulo chamado de "escola sem partido" que é extremamente partidarizado, jovens alunos estão produzindo um tétrico espetáculo ameaçando ou gravando professores em sala de aula, com a justificativa de estarem patrulhando os doutrinadores.
Estamos indo por um caminho muito perigoso.