Causam preocupações os rumos que estão sendo tomados por nossa Educação.
Inerte por quase cem dias, tempo em que se dedicou apenas a atingir a moral do povo brasileiro e a trocar auxiliares, o titular da pasta foi afastado, e, imediatamente substituído por pessoa que, pelo que se escuta e lê, também não apresenta os pendores exigíveis para a função.
Isso se constata mais, quando, entrevistado por jornal de grande porte, o senhor Abraham Weintraub apresentou ideias que, efetivamente, não se coadunam com o cargo.
Assim, mostrando ranço político que dá nojo e que segue na contramão dos programas de despolitização pregados pelo máximo dirigente do Executivo, proclamou que: "Uma pessoa que sabe ler e escrever e tem acesso à Internet, não vota no PT".
Custa a crer - e fosse matéria de rede social seria tratada como fake - que tal frase tenha brotado de agente político. E, isso se afirma, porque, em poucas linhas, desfaz dos mais de 40 milhões de eleitores que votaram contra Bolsonaro - a seu ver analfabetos -, como, também, afronta o ensino público, incapaz de formá-los na base.
Tal não bastasse, em vez de invocar o acesso aos livros, como natural em país de iletrados, enaltece a formação eletrônica, a que informa pela rama e cria "intelectual de minuto".
Mas não se pautou por isso o seu discurso bizarro.
Esclarecendo sobre a ditadura de 1964 - assunto que, já disse, deveria repousar no passado -, defende-a com o argumento de ter sido, simples momento de exceção. Afinal, "em um dia de protesto na Venezuela morreu mais gente que no período".
Confesso que, embora tenha procurado, não encontrei nenhum movimento no país vizinho que tenha levado ao extermínio de mais de 450 pessoas.
Ademais, deplorável que se analise regime de força pelo número de mortes injustas por ele perpetradas. Os que viveram a época, além de lastimarem tais barbáries, sentiram na carne as demais decorrências da opressão ilimitada, da falta de liberdades.
Teremos saudades de Vélez?