Vivemos dias complicados. São tempos difíceis na economia, na política e nas relações sociais. O meio social está impregnado de um clima de animosidade e isso está repercutindo em ações de alto grau de insanidade. E o mais grave é que parece que as pessoas não estão se dando conta disso.
O país mergulhou numa grave crise econômica que veio acompanhada de uma grave crise política, atingindo também nossas instituições. Esse quadro gerou um ambiente para a intensificação de um acirramento de graves consequências. Até mesmo teses de cunho absolutamente autoritárias, adormecidas por décadas, foram despertadas e ganharam uma desavergonhada visibilidade.
Estamos colhendo os amargos frutos daquilo que se espalhou pela nossa sociedade. A intolerância manifesta por alguns segmentos sociais contra os diferentes tem atingido níveis repugnantes.
Multiplicam-se os casos de agressões motivadas por ódio contra diversos segmentos sociais. Aumentam os casos de descriminação e homofobia. São muitos os casos de violência física e assassinato contra mulheres (feminicídio) praticados por maridos, namorados, noivos ou ex. E é cada vez maior a indiferença de boa parte da sociedade em relação ao sofrimento dos mais vulneráveis.
Todo esse cenário não ganhou corpo da noite para o dia. Isso vem sendo construído por décadas, cotidianamente, através de gestos, palavras e comportamentos, principalmente daqueles que deveriam se pautar por gestos, palavras e comportamentos que fossem na direção oposta. Os últimos cinco anos foram caracterizados pela aceleração dos ingredientes que incentivam o ódio e a violência.
A sociedade esta doente e esses fatos são sintomas. O ataque na escola pública de Suzano e os 80 tiros desferidos contra um homem acompanhado de sua família no Rio de Janeiro são fatos que evidenciam isso. O primeiro passo para resgatarmos a saúde da sociedade é admitir sua enfermidade e procurar impactar aqueles que nos rodeiam com o melhor comportamento possível.