Os números divulgados mensalmente pelo Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged), departamento do Ministério da Economia responsável pelo levantamento estatístico das vagas trabalhistas no mercado, propiciam leituras que, de antemão, transitam numa análise polarizada do quadro positivo-negativo embasador das relações econômicas. Considerando os dados mais recentes, publicados na quarta-feira pelo órgão, as cidades do Alto Tietê apresentaram um saldo favorável com a criação de 148 postos no mês de março.
A pesquisa revela extremos na região. Enquanto Suzano acrescentou à sua conta 311 vagas, Mogi das Cruzes perdeu 146 postos. Como os números refletem o registro de um único mês, não significa, necessariamente, que uma cidade está em alta e a outra não. Os índices flutuam com enorme velocidade e devem ser interpretados, sim, como tendências passíveis de análise. Há de se considerar, por exemplo, fatores como a repetição trimestral e a somatória dos últimos 12 meses. Neste aspecto, não há motivos para alardes, mas o resultado desperta atenção.
O Caged leva em consideração apenas os empregos formais, aqueles com carteira assinada, o que dá um panorama parcial sobre a situação. Apenas para ilustrar, o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que realiza estudos mais abrangentes, revelou por meio da Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), que o país tinha, em fevereiro, mais de 13 milhões de pessoas desempregadas. O que preocupa é que esse contingente vem crescendo, de acordo com o órgão, nos últimos meses.
Outro aspecto importante para análise é a divisão dos dados do Caged por setores. Em números nacionais, as áreas com pior desempenho em março foram Indústria (-3.080), Construção Civil (-7.781), Agropecuária (-9.545) e Comércio (-28.803). Esses setores são justamente os principais empregadores na região, de acordo com as características produtivas de cada cidade. Assim, se os dados, mesmo que oscilantes para baixo, ainda não configurem um estado crítico no nível de emprego, servem como base para um novo planejamento. O sinal de alerta está ligado.