Como a escola, um lugar onde projeta futuros e idealiza transformações, tornou-se alvo fácil de massacres? Pergunta inexplicável, que envolve inúmeras discussões. Entender os motivos que levaram os dois jovens a cometer o atentado à Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, não é uma das tarefas mais fáceis, mas nos alerta para a necessidade de olhar para os nossos jovens, que carecem não apenas de conhecimentos ligados à cognição, mas também de experiências que os preparem para encarar o mundo afora e, inclusive, vivências que os ajudem a compreender a complexidade do ser humano.
Em um mundo em que a depressão já é considerada o mal do século, o diálogo e a disposição em ouvir, entender e orientar o outro tornou-se essencial. Problemas permeiam o cotidiano de todos, e aprender a lidar com as adversidades que contemplam os seres humanos é um dos caminhos para, ao menos, compreender os sentimentos que perpassam pelas mentes. Mas para isso é preciso orientar e, mais do que tudo, conversar. Precisamos ampliar nossos olhares, e, em especial, aos nossos jovens, que ora aparentam tão comunicativos ora tão quietos e isolados.
No entanto, o isolamento, que faz parte também dos adultos, pode coibir esta tarefa. Mesmo em meio a tanta gente, boa parte da população ainda se sente sozinha. O escritor Daivid Reisman, desde a década de 1990, já nos falava de uma "multidão solitária". Ele destaca que a sociedade está cada vez mais imersa na solidão, mesmo com milhões de pessoas à volta. Sentimento este desencadeado ora por escolha própria ora por imposição da sociedade, que, com seus padrões e solicitações assustam aqueles que não se adéquam ou não querem acompanhar as exigências para se viver em um determinado grupo.
Exigências que podem desencadear rejeições e uma série de comportamentos que podem, inclusive, levar a agressividades. O histórico dos jovens que cometeram atentados como o desta semana perpassam por cenários semelhantes. Portanto, olhai pelos nossos jovens, e que esta missão não seja apenas a dos pais e dos professores, mas de todos que não querem deixar de acreditar que a juventude representa o futuro.