No pequeno intervalo que medeia, pela manhã, o tempo de atendimento ambulatorial na Clínica Saint Nicholas, em Suzano, aproveito para saborear um gostoso pão de queijo com um cafezinho. Na quarta-feira, dia 13, me surpreendi com o número de pessoas que olhavam atentamente para a televisão, no balcão da lanchonete alguém satisfez minha curiosidade: "Só você não sabe o que está acontecendo? Dois terroristas entraram na Escola Raul Brasil e estão matando quem encontram pela frente!"
Naquele instante senti o ar pesado da morte bafejando no rosto das pessoas - se antes nunca aconteceu, agora, lá no colégio estava acontecendo. Como conciliar tantas indagações que buscam resposta para o comportamento cruel dos dois jovens odientos que festejavam aquele momento, o violento massacre? Erramos quando buscamos a causa no mundo desigual em que vivemos. O mal que nos rodeia, seja primitivo ou sofisticado, primeiramente, é arquitetado dentro do homem e depois construído, com o requinte do ódio que nele existe, no ambiente em que vive.
A conjunção subordinada condicional "se" foi a mais usada no começo das frases que muitos emitiam, sugestões de muitas atitudes que tomadas e praticadas no meio social teriam evitado a tragédia da escola. Não é a sociedade injusta que deforma o caráter das pessoas, mas aquelas que não amam a Deus e nem o próximo se deixam vencer do mal. Não somos vítimas, somos, na verdade, responsáveis pelo mal que praticamos contra o Homem e contra a Natureza.
Assim disse Jesus: "O julgamento é este: Que a luz (Jesus), veio ao mundo, e os homens amaram mais as trevas do que a luz: porque as suas obras eram más... quem pratica a verdade aproxima-se da luz a fim de que suas obras sejam manifestas, porque feitas em Deus." João 3:19 e 21.
O amor e o ódio são congênitos, nascem conosco, crescem no canteiro dos nossos sentimentos adubados com o bem ou com o mal, e conforme o adubo moral recebido assim será a sociedade construída: para a vida ou para a morte.