O massacre na Escola Estadual Raul Brasil, em Suzano, na Grande São Paulo, expõe o avanço de grupos e crimes cibernéticos de propagação de ódio, informa o jornal O Estado de S. Paulo. A participação de uma dessas redes no atentado, que deixou 10 mortos e 11 feridos na quarta-feira passada, é investigada pelo Ministério Público Estadual (MPE). Ataques virtuais contra negros e mulheres e a incitação de crimes contra a vida são planejados e apoiados em fóruns na internet profunda que celebraram o massacre em Suzano. 
Entre 2017 e o ano passado, houve aumento de 29% no número de ações na Justiça acompanhadas pelo Ministério Público Federal (MPF) relacionadas a crimes de ódio na Internet - os registros passaram de 342 em 2017 para 442 no ano passado. "Tem havido uma intolerância maior e a sensação de que a Internet é terra sem lei", diz a procuradora Fernanda Domingos, do Grupo de Apoio sobre Criminalidade Cibernética do MPF.
O dado se refere a discriminações na Internet por raça, etnia, religião e procedência, como ataques a nordestinos, por exemplo. E o aumento de processos em 2018 pode ter relação com o ano eleitoral, época considerada propícia para a propagação de discursos de ódio na web.
O olhar para as profundezas da Internet tem um motivo. "Os criminosos estão se refugiando lá porque é um meio onde o anonimato é mais fácil", afirma Fernanda. (E.C).