A semana que termina hoje foi, sem dúvida, uma das piores pela qual passou o Alto Tietê. Desde quarta-feira respira-se e fala-se do atentado ocorrido em Suzano que deixou dez mortos, entre eles os dois atiradores que protagonizaram essa tragédia. Esse assunto ainda será muito debatido e, também, vai gerar outros temas paralelos.
Um deles será a volta do debate da flexibilização da posse de armas, fato esse que foi defendido pelo senador Major Olímpio (PSL), por mais de uma vez, em Brasília. Uma das falas do parlamentar por São Paulo era que, se um dos professores tivesse uma arma, a tragédia, ou parte dela, poderia ser evitada. Na realidade, nunca saberemos o que aconteceria, uma vez que isso está somente no terreno das discussões. Mas, o que parece ser algo mais concreto de se analisar é que, onde há mais circulação de armas, sejam elas regulamentadas ou irregulares, há maior número de mortes.
Estudo elaborado pela Pesquisa Global de Mortalidade por Armas de Fogo (Global Mortality from firearms, 1990 - 2016 , do Instituto de Métricas e Avaliação em Saúde (Institute for Health Metrics and Evaluation), divulgado no ano passado, mostrou que durante esse período de avaliação, 43,2 mil pessoas morreram por meio de arma de fogo. Nos Estados Unidos, país que tem alguns estados que apresentam facilidades para comprar armas, o número de vítimas por armas de fogo foi de 37,2 mil.
Os números mostram informações de 195 países, sendo que brasileiros e americanos lideram o ranking, na sequência aparecem México, Colômbia, Guatemala e Venezuela. Juntos, estas seis nações foram responsáveis por 126 mil mortes, a metade do restante do mundo para o período.
Dar parte da responsabilidade do que ocorreu em Suzano ao presidente Jair Bolsonaro (PSL) parece ser muito temerário, uma vez que o chefe do Executivo brasileiro não influenciou diretamente nas escolhas feitas por Guilherme Taucci Monteiro, de 17 anos, e Luiz Henrique de Castro, 25, porém, parece cada vez mais claro que, onde existem mais armas circulando, há mais mortes. Os números não mentem.