O governo de São Paulo transferiu na manhã de ontem o principal líder do Primeiro Comando da Capital (PCC), Marcos Willians Herbas Camacho, conhecido como "Marcola", e outros 21 membros da cúpula da facção criminosa para presídios federais. A operação teve início na madrugada. Desde novembro, já havia previsão de transferência dos membros do PCC para unidades federais, após a descoberta de um plano de resgate de Marcola e do presídio de Presidente Venceslau.
Eles foram levados para Mossoró, Brasília e Porto Velho. Sete foram transferidos porque haviam sido alvos da operação Echelon em 2018. Outros 15 porque fazem parte da sintonia geral final do PCC, com seu primeiro e segundo escalão. Policiais militares e agentes penitenciários da Secretaria de Administração Penitenciária (SAP) participaram da operação.
Marcola é o ultimo grande líder de facção criminosa do país a ir para a rede de presídios federais. Lá já estão seu rivais do Comando Vermelho e da Família do Norte e seus aliados do Terceiro Comando Puro.
O jornal O Estado de S. Paulo apurou que o plano inicial era esperar alta do presidente Jair Bolsonaro (PSL), pois se temia possíveis reações da facção em São Paulo, o que não ocorreu até agora. Todos os presídios de paulistas estão passando por blitze simultâneas para evitar tumultos. A decisão foi tomada pelo secretário da Administração Penitenciária, Nivaldo Restivo. Em mais de cem unidades prisionais do Estado existe presença de integrantes do PCC.
Os criminosos foram transferidos por decisão do juiz Paulo Zorzi, corregedor dos presídios, e a pedido do promotor Lincoln Gakiya, do Grupo de Atuação Especial e Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), de Presidente Prudente. "Essa é a maior operação já feita. Esperamos desarticular momentaneamente a cúpula da facção", afirmou Gakyia.