As cenas televisadas dos conflitos nas fronteiras venezuelanas, neste final de semana, foram, além de deploráveis, bizarras.
Digo deploráveis, porque, envolvendo luta fratricida; refrega entre irmãos; por certo, atingidos todos pela pobreza que assola a vizinha nação. Bizarra, porque, relembrando as "batalhas" comuns no Oriente Médio, opuseram pedras a bombas de efeito moral, balas de borracha, munições reais.
Mas, a quem efetivamente interessa tal estado de coisas, é a questão que precisa ser respondida. Obviamente que não ao presidente Maduro que, eleito - observadores que acompanharam o pleito poderiam dizer se as urnas foram fraudadas ou não - com quase 70% dos votos, rezava por mandato calmo e distante de agitações - embora, convenhamos, sua fé nesse sentido deveria ser extremada, e contar com o apoio de todos os anjos que o guardam.
Guaidó, célebre desconhecido, que, de início, sequer sonhava com o destaque que tem alcançado, este sim, entoa agradecimentos pelo atual momento político. Ansioso pelo poder, aproveita a ocasião para, abusivamente, autonomeando-se "presidente", viver os seus momentos de glória, doa a quem doer, sejam quais forem as vítimas.
Calculista ao extremo, se valeu dos Estados Unidos - inimigo figadal "chavista" -, para que "reconhecesse" o seu "governo", e, ao mesmo tempo, através de subterrâneas negociações, encaminhasse, no mesmo sentido, a nata das nações europeias. Como sempre, a aquiescência americana, teve razão de ser. A Venezuela conta com as maiores reservas petrolíferas do mundo.
Continuando, portanto, com a saga de sua história recente - tornar seu protetorado nações onde prolifera o "ouro negro" -, desta vez sem a obrigatoriedade de perdas de vidas de seus nativos, o "Grande Irmão" encontrou caminho aberto para suas pretensões através de "mandatário" fantoche.
Maduro, Guaidó, Estados Unidos, Rússia, China, ali disputam tudo, menos a implantação da democracia e a liberdade do povo, que, "bucha de canhão", como sempre, é simples detalhe.