Em época de discussão sobre a "Escola Sem Partidos", o senhor Ricardo Vélez Rodríguez, desconhecido colombiano, mas que indicado pelo beócio Olavo de Carvalho - ex-astrólogo que se arvora como filósofo, e que em dias de total ignorância tem merecido aplauso de ignaros - entronizou-se no Ministério da Educação, atira lenha à fogueira.
Após, de maneira bisonha e mal educada, tachar o brasileiro, sem exceções, de canibal e "ladrão" - logo ele, egresso de país que se notabiliza por ter a "maior escola de batedores de carteiras do mundo", por reinar no narcotráfico e por envolver-se em luta fraticida que resultou em milhares de mortes ao longo de anos - vê como "remédio para o mal detectado", a volta da disciplina de "Moral e Cívica" no Ensino Fundamental, que seria substituída pelos "Estudos de Problemas Brasileiros", nos cursos superiores - que a seu ver, na contramão do que acontece na atualidade, devem ser elitizados, abrigar "a fina flor da sociedade"!
Aqueles que percorreram caminhos longos no viver hão de se lembrar da época ditatorial em que, com pretextos menos chocantes, tornaram-se obrigatórios tais estudos, em qualquer nível educacional. Ministrados, muitas das vezes por militares, quando não por acólitos do regime de força, pregavam as maravilhas da "revolução", e davam ênfase às conquistas das forças armadas. Funcionando como verdadeira lavagem cerebral, iam minando, principalmente, as mentes dos mais novos, dos alunos dos "grupos escolares".
Já nas universidades, tinham o condão de, nas entrelinhas, detectar os que se opunham ao caudilhismo, levando, inexoravelmente, seus nomes aos órgãos de repressão. Não que se chegue a tanto! A globalização, que já não permite que se escondam mazelas de tais jaezes se coloca como sistema de contrapeso aos desmandos.
Mas não se pode negar que o currículo deverá vir impregnado de carga expressiva de críticas aos que lideraram o país pós-golpe, expondo-lhes as mazelas, e escondendo suas virtudes.
Partidarismo maior que esse?