No dia 27 de janeiro, em Jundiaí, uma jovem de apenas 22 anos, ao visitar seu ex- namorado, preso por roubo e cumprindo pena no centro de detenção provisória daquela cidade, foi violentamente agredida e morta por ele. Um tratamento cruel e dissonante para uma pessoa que, por meio das redes sociais, mesmo sob fortes criticas, manifestava juras de amor e incondicional apoio ao agressor.
Difícil é entender a mente, em especial aquela parte que norteia o comportamento. Penso que a violência é algo inerente a natureza do ser humano, contudo o que os diferencia é o seu controle, intrínseco ou extrínseco. Uma criança, para fazer prevalecer sua vontade perante as demais, defender seu espaço ou seu bem, no caso um doce ou brinquedo, faz uso da força e, por vezes, da violência, o que, ao contrário do que ocorre em algumas famílias, deve ser coibida pelos pais. O entendimento, o respeito, a harmonia e o compartilhamento são as soluções pacíficas que devem ser estimuladas. Estamos aqui diante de um controle intrínseco.
Já o extrínseco nos remete a mecanismos externos, como a polícia e as leis. No caso da jovem morta, reportagens indicam que a mãe do ex-namorado, ao visitá-lo apresentou-lhe uma foto, em que a vítima trajava roupas de banho ao lado de um outro homem. Foi o que talvez tenha despertado a sua ira. Não poderia ele, alertado pela mãe, aceitar que uma outra pessoa tomasse posse do que era seu, um entendimento equivocado e motivador de diversas tragédias. Mal sabia esse, e muito menos a sua mãe, que a vítima estava em uma festa familiar e o homem tratava-se de um primo. Mesmo tendo seu relacionamento rompido, temendo eventuais represálias, a jovem decidiu ir até o presídio e explicar os fatos.
Ato esse notadamente equivocado, porém, entendamos, conduzido pelo medo, o que retrata a dura realidade das mulheres que se relacionam com pessoas que decidiram ter o crime como meio de vida. Deslumbradas pela pessoa do criminoso, descobrem um monstro e, temendo por suas vidas, aceitam viver num verdadeiro cárcere.