Desde pequeno, ouço a história de um viajante que trafegava com sua carroça, de noite, por uma estrada rural, quando repentinamente surgiu uma mulher que, de forma desesperada, pedia ajuda a seu filho, um bebê de 1 ano, e que, segundo a ela, estava muito doente.
O viajante, diante da situação, não pensou duas vezes em acompanhá-la até sua casa e socorrer o filho, pedindo então que subisse em sua carroça. Após trafegar por um tempo, o viajante pode observar, ao longe, um ponto de luz, que, segundo a mulher, tratava-se de sua casa, um local humilde, tendo um dos cômodos iluminados por uma lamparina.
Ao parar a carroça defronte à casa, cujas paredes eram forradas por barro e sapê, o viajante pôde ouvir um som fraco que indicava o choro de uma criança e que vinha de um dos cômodos do casebre. Não teve dúvidas. Adentrou na residência e se dirigiu ao cômodo iluminado, deparando-se com a criança deitada sobre o colo de uma mulher desfalecida e cujo rosto não conseguia ver.
"Quem é?", perguntou o viajante à mulher que havia pedido socorro, e, diante do silêncio, ele virou-se para trás e constatou que a mulher havia sumido. Aquela cena o deixou estarrecido, contudo, diante do choro da criança, a pegou em seus braços e, mais próximo da mulher desfalecida, constatada já sem vida, percebeu que se tratava da pessoa que havia pedido a ajuda para ele. Era a mãe da criança.
Conta a história que, preocupada com a saúde e o destino do filho, a mãe, a qual falecera de doença, numa demonstração de amor incondicional, em espírito, buscou ajuda. Tal parábola retrata a dedicação desses seres maravilhosos e abençoados que, pelos filhos, dedicam suas vidas e não medem esforços em defendê-los. Entendimento esse que, com certeza, uma vez observado por sua prole, evitaria submetê-las a situações de desconforto, perigo e constrangimento. Como retorno, o que todas desejam não é caro. São meras posturas de atenção, respeito e reconhecimento, fazendo aflorar nelas o tão desejado sentimento de estar feliz.