A reciclagem do lixo é um dos assuntos mais preocupantes, pois engloba questões oportunas como as relacionadas à preservação do meio ambiente, sustentabilidade e desenvolvimento tecnológico, como também abrangências mais palpáveis, como a geração de emprego imediata e economia de recursos e valores. À primeira vista, a soma de 6 mil toneladas de lixo urbano reciclado no Alto Tietê em 2018, conforme reportagem publicada ontem pelo Grupo Mogi News, representa um número que impressiona, mas que, na verdade, não passa de apenas 5% de todo o volume gerado. Em termos de produtividade, o saldo é bastante singelo.
O problema, no entanto, é mundial. Os países mais desenvolvidos convivem com a mesma situação. Como e o que fazer com essa massa de detritos cada vez maior, impulsionada pelo gradativo crescimento populacional e por uma cultura industrial movida por produtos descartáveis, além da geração comercial de embalagens supérfluas? As nações mais ricas têm a possibilidade de desenvolver programas específicos, pois possuem uma economia estável que permite o investimento em tecnologia para o reaproveitamento de materiais e são favorecidas por um nível cultural bem mais avançado quanto ao conceito de sustentabilidade.
Por aqui, poucas empresas desenvolvem rotinas que incentivam a reciclagem e as poucas práticas públicas de reaproveitamento de materiais ainda possuem um caráter artesanal. Há de se louvar a iniciativa das prefeituras que recolhem garrafas PET durante o ano para transformá-las em enfeites de Natal, mas a proposta de reúso é bem mais complexa. É preciso criar alternativas em grande escala para dar conta do volume.
A conscientização inicial deve partir dos bancos escolares, com o desenvolvimento de projetos que possam envolver as crianças de hoje e inseri-las em propostas futuras. Quanto mais rápido o país partir para ações mais agressivas em defesa da natureza, mais rápido também teremos condições de avançar no combate ao problema e, quem sabe, de reaproveitar mais do que os tímidos 5% do lixo doméstico.