Ainda no governo passado, o Ministério da Saúde havia sugerido à Receita Federal o aumento nos impostos de produtos como o refrigerante, sob o pretexto de combater a obesidade infantil. O fisco está analisando, mas tudo indica que deverá aceitar a recomendação. Só como exemplo, uma lata que custa R$ 4 poderá valer até R$ 4,80.
A Organização Mundial da Saúde (OMS) também é simpática ao acréscimo. Para a entidade, o aumento deveria ser de 20% para que seu consumo seja desestimulado, uma vez que a OMS associa doenças como diabetes e câncer a esses produtos. Como não poderia deixar de ser, as fabricantes dessas bebidas são contra a elevação de taxas.
A medida parece ser interessante e pode ajudar a reduzir o consumo, mas seria mais eficaz, caso o aumento de fato ocorrer, se for utilizado para campanhas de educação e conscientização quanto ao uso do refrigerante por parte das crianças. Nesse caso, o alvo dessa suposta ação seria os pais.
São os pais que introduzem o produto aos filhos, e uma vez experimentado, fica difícil para a criança se livrar dele, já que é doce e o sistema de recompensa e prazer faz com que a vontade de tomar refrigerante só aumente. O efeito que esse líquido pode fazer no organismo de uma criança é devastador, entre esses efeitos estão a diabete, obesidade e cáries.
Nas ruas não é tão difícil observar pais dando mamadeiras de refrigerante aos filhos. Por mais tentadora que possa parecer, ainda mais no verão, essa prática deve ser abolida. Tentar conscientizar os pais por meio de campanhas sobre os malefícios do refrigerante seria o melhor uso que poderia ser feito com esse dinheiro oriundo do aumento de impostos. O investimento em hospitais públicos para tratar crianças que sofrem com qualquer doença que tenha se originado nesse hábito também seria bem-vindo.
Mas apenas taxar para desestimular o consumo parece ser muito vago, já que as pessoas que têm o costume de fazer o uso da bebida, que seria o público-alvo, não deve parar de comprar em razão do aumento de impostos. É preciso fazer mais para mudar hábitos enraizados.