Depois dos aumentos da tarifa da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), no último domingo, passando de R$ 4 para R$ 4,30, e da passagem do transporte coletivo em Mogi das Cruzes, na segunda-feira, que foi de R$ 4,10 para R$ 4,50, agora é a vez de Suzano anunciar o reajuste de R$ 4,10 para R$ 4,40, a partir de amanhã. Não houve um índice comum aplicado no aumento, o que comprova que os responsáveis adotam critérios diferentes para calcular as adequações, mesmo que utilizem justificativas parelhas e as atribuam à correção da inflação.
Os aumentos são necessários pois não ocorriam há praticamente dois anos, período em que outros fatores não ficaram congelados, como o preço dos combustíveis e os salários dos trabalhadores do setor. Assim, há um lado concreto e justo na reivindicação das empresas concessionárias, mas também há o usuário, cuja única alternativa para continuar utilizando o serviço é arcar com o prejuízo.
O arquiteto Paulo Pinhal fez, via rede social, uma análise interessante a respeito do assunto. "Nestes aumentos, existem as questões legais e questões morais que devem ser avaliadas. No ponto de vista da questão legal, está escrito no contrato que os valores têm que ser reajustados uma vez por ano", escreveu. "O problema fica na questão moral, pois a população não aguenta mais aumentos, principalmente nos transportes", completou.
Aprofundando a análise, o arquiteto avançou na proposta e avaliou sob uma ótica mais contemporânea. "Pensando na cidade, as empresas concessionárias devem promover em conjunto com as secretarias um Sistema de Monitoramento Automático, onde todos os ônibus passam a ter no mínimo quatro câmeras e monitorados por pontos fixos que mandam informações pelo GPS em tempo real das situações do trânsito na cidade. É levar o transporte coletivo para outro nível".
O reajuste rotineiro das tarifas para acompanhar os índices de inflação vai permanecer por um bom tempo. Mas o serviço precisa se modernizar e, além de oferecer melhor qualidade naquilo que se propõe, que é o transporte, deve se reformular e trazer outros benefícios à população.