Estamos de luto. Mais uma vez essa frase ganha destaque na mídia e nas redes sociais. É um luto tão grande e intenso quanto é grandiosa e intensa a criminosa tragédia ocorrida em Brumadinho.
Há mais de três anos, no dia 5 de novembro de 2015, o rompimento da barragem de Fundão, da mineradora Samarco, deixou 19 mortos e causou uma enxurrada de lama que inundou várias casas no distrito de Bento Rodrigues, em Minas Gerais.
Em Brumadinho, no momento em que escrevo este artigo, já foram confirmadas 65 mortes, além dos mais de 300 desaparecidos, em relação aos quais não existe muita esperança de resgatá-los com vida. Insisto, não foi tragédia, não foi acidente. Foi crime. Aconteceu algo que era previsível, assim como era previsível o rompimento da barragem de Fundão.
Mesmo com a trágica experiência vivida em 2015, mesmo com alertas de especialistas, absolutamente nada foi feito de forma preventiva. E muitos alertam que a situação de diversas outras barragens no Estado de Minas Gerais também é crítica.
É preciso lembrar que, todo o acontecimento de Mariana que afetou a vida de milhares de pessoas direta ou indiretamente, até o momento não significou a responsabilização e punição de ninguém, bem como a maioria das pessoas que sofreram as consequências do rompimento ainda não foi indenizada.
Estamos nos habituando a conviver com tragédias. De forma já costumeira, assim que elas acontecem, vivemos um estágio de choque, em seguida passamos para a comoção e, finalmente, vem o estado de indignação. Mas sempre por um breve tempo. Depois, o noticiário muda seu foco, nós vamos levando a nossa vida e aguardamos.
Estamos de luto mais uma vez. Luto pelas vidas ceifadas pela ganância, irresponsabilidade e omissão de tantos. Estamos mais uma vez de luto por submetermos os diferentes aspectos da nossa vida em sociedade aos interesses do mercado.
Caso não queiramos esperar pelo choro de um novo crime trágico, nosso luto só não basta.