O ministro da Justiça e Segurança Pública, Sérgio Moro, afirmou ontem que o governo não intervirá na investigação das transações financeiras suspeitas envolvendo o senador eleito Flávio Bolsonaro (PSL) e seus assessores. Em entrevista para a Agência Reuters em Davos, na Suíça, Moro disse que a investigação é preliminar e está nas mãos dos promotores estaduais. "Eles estão fazendo seu trabalho de maneira normal. O governo nunca vai interferir no trabalho dos investigadores ou no trabalho com promotores", disse o ministro. Na entrevista, Moro ainda defendeu o decreto que flexibilizou a posse de armas de fogo.
Na segunda-feira, o procurador-geral de Justiça do Rio de Janeiro, Eduardo Gussem, afirmou que Flávio Bolsonaro e outros 26 parlamentares da Assembleia Legislativa são investigados na esfera cível por suspeita de improbidade administrativa. Eles são citados em relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), que detectou movimentações financeiras atípicas, com indícios de lavagem de dinheiro e ocultação de bens. Apesar das suspeitas, nenhum deputado é investigado criminalmente. "Ninguém (ainda) é investigado (na esfera criminal). Inicialmente, estamos apurando fatos", disse Gussem.
O ex-assessor Fabrício Queiroz, que trabalhou no gabinete de Flávio, é um dos investigados. Seu nome aparece em relatório do Coaf por movimentação de R$ 1,2 milhão no período de janeiro de 2016 a janeiro de 2017.
Na quinta-feira da semana passada, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal, concedeu liminar que determinou a paralisação das apurações sobre o caso. No pedido para a Corte, Flávio Bolsonaro alegou que a investigação do Ministério Público do Rio era ilegal, pois a instituição não teria direito a isso, uma vez que ele foi eleito senador.