Ler é um convite a mundos desconhecidos e a viagens inimagináveis. É por meio da leitura que se abre a mente para um universo inumerável de conhecimentos, aqueles que nos ajudarão a ampliar repertórios, visões de mundo, reflexões sobre o passado, o contemporâneo, e por que não o futuro? Não é de se negar que todos reconhecem a importância da leitura, no entanto, estimulá-la ao ponto de formar leitores assíduos é um grande desafio. Ainda mais em um país em que apenas a metade de sua população, ou seja, 88,2 milhões de pessoas, é, de fato, leitora. É o que aponta a pesquisa "Retratos da Leitura no Brasil", realizada pelo Instituto Pró-Livro, que, em seu último levantamento, mostrou que o brasileiro lê "em partes" cerca de quatro livros por ano, e "integralmente", cerca de duas obras. Um valor bem abaixo quando comparado aos índices de países europeus, por exemplo, que chega a sete exemplares anuais.
Os dados são preocupantes, mas, ao mesmo tempo, contrastantes. Quando analisados sob o viés tecnológico, pesquisas apontam que, com a era digital, nunca se leu tanto no Brasil, e isso se deve aos novos formatos de leitura, que hoje se estendem aos smartphones, tablets e computadores. Não é de se estranhar, por exemplo, quando estamos num espaço público e olhamos para o lado, nos deparamos com pessoas atentas aos seus dispositivos e mergulhadas num mundo de informação. Nem sempre são livros, mas toda a leitura é válida. Segundo o estudioso Paulo Tedesco, o brasileiro não lê pouco, pode ler mal ou não comprar livros como se gostaria, mas a média de leitura nacional é boa.
O problema é que ainda é preciso "ler melhor e mais profundamente". E, para isso, o estudioso destaca que o desafio vai além, e integra não só o papel da escola, que vem fazendo a sua parte, mas, principalmente, de editores, autores e agentes do mercado, que precisam avaliar melhor o público à sua volta e, independentemente do seu perfil, fazer mais e melhor pelo leitor brasileiro. Este é um dos caminhos para os cidadãos mergulharem não apenas em conteúdos líquidos, ou seja, voláteis, mas em histórias marcantes, que, além de preciosas mensagens, transmitem lições de vida. Fica o desafio.