Desde 1986 o Estado de Minas Gerais vive sob um trágico "tic, tac", aguardando o rompimento da próxima barreira e a contabilização das próximas vítimas.
O mais recente crime ambiental a desabar sobre a população e o meio ambiente, dessa vez em Brumadinho, repete em tudo o padrão dos anteriores: à exploração indiscriminada do solo, segue-se o tratamento inadequado dos rejeitos, as tragédias humanas e a destruição ambiental.
A despeito de tudo, as licenças ambientais das mineradoras permanecem intocadas, sustentadas por auditorias produzidas por elas mesmas. Neste cenário, a expectativa de novas tragédias não é torcida contrária, mas interpretação óbvia das circunstâncias.
A manutenção de Ricardo Salles como ministro do Meio Ambiente, apesar da ter sido condenado por adulterar mapas de impacto ambiental, entre outros atos irregulares para beneficiar empresas, faz com que o "tic, tac" mineiro ressoe por todo o território nacional.
Na verdade, os discursos e as práticas do governo federal em diversas áreas tiram o sono de quem se dedica a ouvi-lo. Há um "tic, tac" instalado no Ministério da Mulher, da Família e dos Direitos Humanos, cuja titular, Damares Alves, defende que "homossexualidade é uma aberração" - no país que mais mata gays e lésbicas no mundo.
No campo do combate à corrupção, a promulgação do decreto 9.690/2019, assinado pelo vice Hamilton Mourão, que altera a Lei de Acesso à Informação e na prática impõe censura à divulgação das despesas realizadas por servidores comissionados e diretores de estatais e de autarquias, deixa a todos sem respiração diante dos efeitos nefastos de tal medida.
No campo da segurança pública, como dormir tranquilo depois do decreto presidencial que facilita a aquisição de armas de fogo num país onde ocorrem cerca de 60 mil homicídios por ano?
Quando o "tic, tac" começa não há nada a fazer senão desarmar a bomba-relógio ou encontrar meios de reduzir seus efeitos. Não há mais tempo para torcer contra ou a favor.