Na semana passada, o tema do envelhecimento da população brasileira, despertado a partir das estatísticas apresentadas pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade), que apontam um crescimento superior a 120% de pessoas acima dos 60 anos até o ano 2040 no Alto Tietê, tem levantado uma série de análises e interpretações. Há, na essência, um questionamento primário que conduz a uma pergunta retórica: o idoso deve se adaptar à sociedade ou a sociedade é que precisa se adaptar ao idoso?
Um bom exemplo disso ficou evidenciado com a reportagem publicada no domingo passado pelo Grupo Mogi News a respeito das pessoas com mais de 60 anos que decidiram cursar uma faculdade. Os entrevistados foram conduzidos por caminhos diferentes. Uma parcela jamais teve a oportunidade de estudar enquanto era jovem; já outro grupo possui uma graduação e decidiu retornar à universidade para manter o intelecto ativo. Ambos, porém, encontram uma certa resistência natural pois, aparentemente, os cursos superiores e instituições são destinados a jovens ainda imaturos, que buscam identidade profissional e anseiam por um futuro promissor.
Outro fator sério é a saúde. Há segmentos na área da Medicina que encaram o tratamento do idoso quase que como um planejamento de manutenção. Com base em uma série de exames, os profissionais traçam um roteiro limitador para a rotina do idoso, eliminando alguns tipos de alimentos mais perigosos e recomendando outros, que podem amenizar problemas adquiridos durante a vida, além de recomendar atividades físicas para fugir do sedentarismo.
O questionamento também envolve a condição financeira. Se, por um lado, alguns tiveram a felicidade de conquistar a aposentadoria com um bom rendimento fixo, por outro, a maioria atravessou os tempos difíceis da crise política e econômica brasileira sem conseguir a desejada estabilidade e ainda trabalha. Como se pode comprovar pelos fatos registrados em diversos setores, o questionamento do início do texto está longe de encontrar um resposta definitiva.