O presidente eleito, Jair Bolsonaro (PSL), e o vice, general Hamilton Mourão (PRTB), foram diplomados ontem em Brasília pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). No domingo, foi anunciado o último dos 22 ministros indicados para compor o 1º escalão, com a escolha de Ricardo Salles (Novo) para assumir o Meio Ambiente. Assim, com o staff definido, o novo governo inicia a segunda etapa da transição, a seleção dos 2º e 3º escalões.
Bolsonaro cumpriu, em parte, aquilo que o havia prometido. O presidente montou a equipe sem, aparentemente, ceder à influência de outros partidos na indicação dos cargos, ao atribuir as pastas para apenas quatro legendas: PSL, DEM, MDB e Novo. Mas não conseguiu a redução drástica no número de ministérios. Chegou a falar em 15 dos 29 atuais e fechou a conta em 22, o que parece razoável.
Bolsonaro fez a indicação, conforme havia ventilado, de cinco militares, o general Carlos Alberto dos Santos Cruz, para a Secretaria de Governo; o general Augusto Heleno, para o Gabinete da Segurança Institucional; o general Fernando Azevedo e Silva, para a Defesa; o tenente coronel Marcos Pontes (PSL), para a Ciência e Tecnologia; e o almirante Bento Costa Lima, para Minas e Energia. As mulheres receberam duas pastas, a de Agricultura, para Tereza Cristina (DEM), e a de Mulher, Família e Direitos Humanos, para a Damares Alves.
O futuro governo também criou os chamados superministérios, atribuindo poderes extras para o da Economia, Paulo Guedes, o da Justiça, Sérgio Moro, o da Cidadania, Osmar Terra, e o da Casa Civil, Onyx Lorenzoni. Essa estratégia serviu para aparelhar Bolsonaro com uma espécie de escudo protetor, deixando-o mais à vontade para o processo de transição.
A partir de agora, com os primeiros 22 convocados, o presidente precisa estabelecer o esquema tático de seu governo. O roteiro de como as coisas irão funcionar a partir de 1º de janeiro segue em débito. Está na hora de Bolsonaro mostrar que sua eleição não foi somente um movimento de votos irracionais contrários a um governo agonizante.