Há muito a Aids deixou de ser uma sentença de morte. Até os anos 1980 e meados de 1990, receber o diagnóstico da doença era o mesmo que programar o próprio fim. Com a descoberta de potentes antirretrovirais, os infectados já podem levar uma vida praticamente normal, com uma expectativa de vida muito próxima a de uma pessoa saudável.
Uma pesquisa feita na Universidade de Bristol, no Reino Unido, e publicada pela revista Lancet, apontou que uma pessoa de 20 anos, que passou a se submeter ao tratamento em 2010, tem uma expectativa de vida de dez anos a mais do que as pessoas da mesma idade que iniciaram o tratamento em 1996. Os medicamentos, na realidade, não conseguem destruir o vírus, mas impedem a multiplicação deles no organismo e evitam o enfraquecimento do sistema imunológico, que é onde a Aids causa o verdadeiro estrago.
A recomendação é que, quanto mais cedo souber, mais rápido o tratamento será iniciado. Por isso, ações como as que estão ocorrendo na região, batizadas de "Fique Sabendo", em que o indivíduo, por meios de testes rápidos e sigilosos, consegue descobrir se está infectado pela doença, são tão importantes.
No Brasil, desde 1996, o Sistema Único de Saúde (SUS) distribui a medicação de forma gratuita. Aliás, o programa brasileiro de combate à doença, seja ele por meio de medicamentos ou prevenção, já foi alvo de elogio pela Organização Mundial da Saúde (OMS), no passado. Mas, apesar dos bons números, o desafio ainda é grande porque, além da medicação e da descoberta da doença, a prevenção é a melhor saída. Somente no Alto Tietê, até a semana passada, as prefeituras informaram que 173 novos casos da doença foram registrados neste ano, cerca de 15 registros por mês.
Os números de anos anteriores são ligeiramente maiores do que os atuais. Em 2016, foram 210 casos, já no ano passado, foram 199, e isso pode evidenciar que as pessoas estão se importando mais com a prevenção e conscientes dos riscos que a doença pode trazer, que, embora possa ser controlada, ainda não possui uma cura definitiva.