A semana passada foi, de certa forma, histórica para os cubanos. Uma empresa estatal de telecomunicações assumiu o serviço de Internet 3G no país, o que, obviamente, deixou a população enlouquecida com a novidade. A adesão não para de crescer. Cuba mantém um atraso tecnológico de mais de uma década em relação a maioria dos países, graças a métodos do governo que mantém o bloqueio financeiro e econômico com os Estados Unidos. Nas nações mais desenvolvidas, a tecnologia 3G foi apresentada ao mundo em 2001.
Mas, agora, parece que uma parcela significativa da população cubana está se rebelando contra o governo comunista. Não é interessante nem correto que um país fique a par das novidades tecnológicas, mesmo porque, apesar de todos os excessos, elas caminham a favor de uma maior comunicação entre os povos.
A entrada da tecnologia 3G foi permitida graças ao novo presidente, Miguel Díaz-Canel, que negociou com os norte-americanos o benefício ao país caribenho. A maior parte da América Latina já usa a tecnologia mais rápida, 4G, enquanto os Estados Unidos já experimentam o 5G.
O sistema comunista vem enganando a população cubana há décadas, e agiram - desde o início da década de 1960, quando Cuba se transformou no primeiro país a adotar o regime -, como verdadeiros traidores. Diferentemente da população venezuelana, que passa pelo mesmo drama, os cubanos protestam pouco nas ruas. Há quase 60 anos, a mídia e as escolas cubanas enaltecem o regime comunista e Fidel Castro (1926-2016); a ideia ainda está muito enraizada. Como foi lembrado, a Revolução Cubana começou no início da década de 1960, quando a América Latina ainda nem falava sobre comunismo e, desde então, tudo ficou nas mãos do Estado.
Agora, essa pequena abertura que Cuba tem ao mundo tecnológico, pode ser o início de uma mudança, lenta, mas significativa. Mais informado e cada vez mais sedento por liberdade, é possível que no futuro o povo se organize e se rebele de vez contra esse sistema imposto há tanto tempo e que priva direitos básicos da população.