Na Guatemala quase ninguém tem mais sonhos, somente pesadelos. O padre Mauro Verzeletti, brasileiro que coordena a Casa do Migrante na capital deste país, diz: "Pobreza sempre existiu na região, mas o que aumentou mesmo o fluxo migratório foi violência. O crime atua muito melhor onde o Estado é fraco; por isso, as caravanas de miseráveis que cruzam a Guatemala e o México rumo à fronteira americana acontecem porque quem decide fugir não suporta mais as extorsões. Os criminosos cobram por proteção, mas as pessoas não têm mais dinheiro para dar. Esta insegurança está acabando com os pequenos negócios e destruindo as economias da região".
Shakespeare, em sua peça teatral Hamlet, tem uma frase dirigida ao príncipe da Dinamarca: "Acima de tudo sê fiel a ti mesmo. Disso se segue, como a noite ao dia, que não podes ser falso com ninguém". Na mesma narrativa acrescenta, ainda, a célebre afirmação: "Ser ou não ser, eis a questão". A maior crise que o Brasil enfrenta é a crise de identidade, tanto do país como do seu povo. Mais que sessenta mil mortes por ano por violência desqualificam a segurança atual que possa dar bem estar social a nossa gente; o "ame-o ou deixe-o" continua acontecendo!
Temer, em final de governo, retirou a mascara da falsidade de "ser" para mostrar de cara limpa de "não ser" ao assinar o reajuste salarial dos ministros do STF, procurando salvar a própria pele e ser benquisto pelos juízes da mesma laia, diante dos quais, indiciado e sem imunidade, será julgado; desprezou a nação e afundou mais ainda a sua já desgastada reputação, triste despedida. O homem do nada do pós-modernismo, moldado pelo existencialismo de Sartre, deixou de ser uma individualidade para ser apenas um ser social sem identidade: nada de sentimento de culpa, nada de bem e mal, nada de valores éticos e morais.
Por rejeitar a fé transcendental em Deus, como também na razão humana, difícil será construir uma nação digna com apenas esse tipo de geração que busca na mentira a verdade.