A proximidade do verão acende um velho, mas importante sinal de alerta às autoridades, em especial à Defesa Civil: o risco de deslizamento de terras. São muitas as moradias irregulares em todo Alto Tietê, e esses moradores sofrem o ano todo com o risco de perderem suas casas, e pior, colocam a vida em risco e as dos familiares. Mas agora, com as fortes chuvas que se aproximam, o perigo é multiplicado.
O risco é total aos moradores, mas a culpa, não. São pessoas que não têm onde morar e, quando um pequeno grupo, geralmente para se livrar do aluguel, encontra uma área abandonada, logo começa a levantar casas e, por meio do boca a boca, aquelas poucas casinhas irregulares atraem muita gente, formando-se assim uma comunidade em risco - principalmente para os últimos a se instalarem na área, que geralmente ficam com a parte de cima do morro, próxima à encosta, ainda mais propenso a sofrer graves consequências.
São as prefeituras que precisam solucionar essa difícil questão, pois é certo que deslizamentos ocorrerão, acompanhadas de previsíveis tragédias. São os próprios moradores quem fazem as escavações do terreno, sem nenhum suporte e quase sem conhecimento algum. Além disso, essas casas irregulares costumam despejar entulho e esgoto nas encostas, umedecendo o solo e comprometendo as residências dos vizinhos. Ai basta uma chuva forte e tudo vai por água abaixo.
O Grupo Mogi News publicou nesta semana que, juntas, Poá e Suzano têm 56 áreas de risco. Com a chuva do final de semana passado, o monitoramento desses pontos são os principais objetivos da Defesa Civil. Só em Poá, são 19 áreas de risco e ,dessas, nove são de risco de deslizamento. Já em Suzano são 37 áreas.
Essas duas prefeituras informaram que operações para atender emergências serão colocadas em prática neste final de ano. Mas, francamente, quando as administrações municipais vão parar de seguir o mesmo método todo final de ano e colocar um fim, ou ao menos minimizar significativamente essa situação que mata pessoas de forma previsível e corriqueira?