Estamos no meio de uma guerra. A impressão que dá é que a violência se alojou em nosso cotidiano e não quer mais ir embora. Espantados, testemunhamos a incapacidade do aparato institucional de fazer frente a esse tipo de situação.
Policiais em serviço ou não e jovens dos bairros pobres são executados a dezenas.
Órfã de uma política de Segurança Pública de verdade, a sociedade tende a legitimar, mesmo que silenciosamente, ações clandestinas por parte de agentes públicos. Como tem sido nosso hábito, os acontecimentos trágicos chamam muito a atenção assim que ocorrem. Depois, vão caindo no esquecimento. Não ocupam mais as primeiras páginas dos jornais e saem da pauta das autoridades e dos políticos. Por fim, acomodam-se em nosso inconsciente e ganham um ar de quase naturalidade.
Construímos uma realidade social de caráter excludente. São milhões de jovens fora da escola, do mercado de trabalho e sem nenhuma perspectiva. Sem a presença do Estado, nossas periferias e nossas favelas se tornam um terreno muito fértil, onde o crime organizado alicia seus quadros. O distanciamento do Estado e a falta de uma participação mais efetiva da sociedade, cobrando as políticas públicas necessárias, são fatores que acabam contribuindo para o crescimento da violência.
O aprofundamento da violência é um dado da realidade que deveria motivar um conjunto de ações articuladas envolvendo os diversos poderes constituídos e demais atores sociais. A reação ao crime organizado deve ser planejada, inteligente e em várias frentes.
O enfrentamento dessa situação não terá nenhuma possibilidade de êxito enquanto imperar uma ótica que a percebe de forma fragmentada. É recomendável que nossa revolta e indignação nos motivem a pensar, agir e exigir que medidas sejam tomadas para que a violência seja contida. Não existe passe de mágica e nem caminho fácil para resolver tal questão. E a ideia de se armar a população para enfrentar a violência pode ser literalmente um tiro no pé.