Ignorando aos apelos de muitos brasileiros, o presidente da República, Michel Temer (MDB), sancionou na tarde de segunda-feira passada o aumento de 16,3% no salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Os membros da mais alta Corte do país vão passar a receber R$ 39,2 mil. Antes da aprovação, os vencimentos eram de R$ 33 mil, ou quase um voto de pobreza, como se referiu o presidente do STF, Dias Tofolli, ao rebater a antecessora, Cármen Lúcia, quando esta havia opinado que não havia necessidade de aumentar os salários. A porcentagem estabelecida foi indicada pelo próprio Supremo, aprovada pelo Congresso Nacional, mas no fundo havia a esperança de que Temer vetasse a medida.
Ao sancionar o novo valor, o chefe do Executivo passa algumas mensagens à população: a primeira delas é que parece não se importar com a opinião pública. Prefere estar alinhado aos poderosos da Justiça do que encarar o STF e vetar os 16,3%. Vale lembrar que, tão logo deixe o Palácio do Planalto, o emedebista será um dos alvos preferidos do Judiciário, uma vez que está envolvido em diversas denúncias.
O segundo revela que o presidente é contraproducente. Em dezembro de 2016, Temer aprovou a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) que congelou os gastos públicos por 20 anos, a chamada PEC do Teto. Assim, setores como o da Saúde e a Educação não receberão novos investimentos, apenas a correção da inflação. Mas é preciso destacar que, em uma tacada só, a aprovação do salário do STF cria um efeito cascata em outros setores do Judiciário, que poderá criar um buraco de R$ 4 bilhões somente em salários pagos, com aumento, a todos os servidores.
Por fim, o terceiro mostra que as próprias autoridades não se importam com a situação. Atuam da maneira que querem, sem se preocupar com o que ocorre com o povo, esse sim, que não tem dinheiro para quase nada e vive se equilibrando para pagar uma prestação. O Produto Interno Bruto (PIB) cresce ridículos 0,2% e já é motivo para comemorar. A solicitação do Judiciário, a aprovação do congresso e a sanção do presidente é, para dizer no mínimo, uma piada de mal gosto.