Euforia, brincadeira, alguma coisa estranha acontece, não consegue mais se mover, o desespero toma conta, gritos sufocados que ninguém escuta e, de repente, o silêncio. Em seguida, movimentos ocorrem, momentos de tensão, o corpo é liberto. Choros de desespero de parentes.
Numa manhã de domingo, incentivados pelo calor escaldante de verão, uma família decide se deslocar até uma represa localizada na região. Lá se deparam com outras pessoas que, com a mesma finalidade, desfrutam de um lazer. Tio e sobrinho decidem brincar na beira da represa. A empolgação é tanta que não percebem estarem se distanciando das margens. Quando dão conta da situação, o sobrinho não consegue alcançar o solo e o tio com a água na altura do peito. O sobrinho não sabe nadar e pede ajuda ao tio que, num ato instintivo, o apanha pelas axilas e o arremessa para as margens. O sobrinho, atordoado, ao sair das águas corre para os braços da mãe, que pergunta o paradeiro do tio. Ainda assustada e confusa, a criança conduz a mãe e parentes até o local onde ambos se encontravam, porém nenhum sinal do tio.
Diante de tal cenário e do desespero dos parentes, pessoas próximas acionaram a Polícia e o Corpo de Bombeiros. Foram horas de buscas até que, no final da tarde, os profissionais localizaram o tio, que se encontrava em posição vertical, com os joelhos levemente flexionados e com as pernas presas pelo lodo.
Informaram os bombeiros que, salvando o sobrinho, quando o tio o arremessou para as margens, o peso desse fez com que o tio afundasse no lodo.
O que deveria representar um final de semana de alegria e divertimento, a família experimentou angústia, sofrimento e dor. Lamentavelmente o fato ocorrido não se trata de caso isolado. Muitos são os episódios envolvendo crianças, jovens e adultos. São 17 afogamentos por dia, ocorridos em piscinas, rios, lagos e represas. Só na região do Alto Tietê, no ano de 2017, foram 34 vítimas. A maioria dos casos ocorridos nos meses de dezembro e janeiro. Descuido é o que motiva o resultado fatal.