No final do século XVIII, Max Nordau, filósofo, escritor, pensador e físico escocês, já dizia que o desânimo era o mal do século. Muito tempo passou, mas o desânimo continua se apresentando com frequência.
Um grande exemplo a esse respeito é o de Elias. A história bíblica deste profeta conta que ele viveu numa época muito difícil, na qual o mau rei Acabe e sua terrível mulher Jezabel afrontavam o Deus do profeta. Com a difícil missão de apregoar a mensagem do Senhor ao rei e sendo o único profeta verdadeiro que restara, Elias, corajosamente o enfrentou, bem como à sua mulher e mais quatrocentos e cinquenta profetas inimigos, chegando a uma épica vitória, em nome de Deus. Ocorre que depois de tão grande façanha, ameaçado por Jezabel, o profeta, inexplicavelmente, fugiu e se escondeu.
Pela sequência do relato vê-se que não se tratou de medo, mas, puramente, de desânimo: combalido e abatido, nada mais importava a ele. A história nos mostra que, por fim, o quadro foi revertido, mas não antes de um período de uma quase depressão. Bem, se sem grandes motivos para desanimar até os grandes desanimam, é compreensível que diante de tantas razões reais que nos cercam, a tendência seja também a de desanimar.
Mas há remédio para isso. Um deles é olhar para as nossas vitórias e torná-las um esteio. Outro é reconhecer que nunca estamos sozinhos: sempre há alguém nos amparando, por mais remanescente que seja, sobretudo, se formos fiéis. Por fim, nunca devemos abrir mão de nossos sonhos legítimos; temos que os perseguir e, mesmo em batalhas, vencendo umas e sendo derrotados noutras, afinal, quem sabe conquistemos os nossos alvos maiores.
A exemplo do profeta, podemos ter grandes vitórias, mas precisamos estar atentos porque essas poderão não ser bastantes; outras lutas virão e será preciso muita firmeza e persistência para não nos entregar ao desânimo mordaz e, quando, porventura, nos sentirmos fracos demais para combatê-lo, que Deus nos livre desse mal.