Se confirmar nas urnas o resultado das pesquisas recentes para a intenção de voto à Presidência da República, o candidato do PSL, Jair Bolsonaro, deverá subir a rampa do Palácio do Planalto no primeiro dia do ano que vem. Até o momento, a margem de vantagem do social liberal é de 14 pontos percentuais. Para se ter uma ideia, na eleição de 2014, a ex-presidente Dilma Rousseff (PT) superou Aécio Neves (PSDB) por pouco mais de três pontos.
É fato que, toda vez que um novo governante é empossado, uma nova onda de esperança de que viveremos dias melhores surge, há uma espécie de confiança no ar, ou como o próprio brasileiro gosta de dizer: "agora, vai!'. Vale lembrar que isso não ocorreu com a ex-presidente Dilma. Naquela época, o Brasil estava realmente dividido e o segundo mandato da petista já começou sob desconfiança e com pouco apoio do Congresso Nacional. Bastou um deslize e ela foi impedida de continuar no cargo.
Se eleito, Bolsonaro terá boa parte do congresso como parceiro, além do eleitorado. Enviará requerimentos de urgências às duas casas, projetos de leis, e deverá ser atendido. O deputado federal Rodrigo Maia (DEM), que ocupa o cargo de presidente da Câmara dos Deputados e está reeleito para mais um mandato, prometeu, depois das eleições, colocar em votação um projeto de lei que irá afrouxar o estatuto de desarmamento, numa clara manobra de se aproximar de Bolsonaro e tentar garantir mais um biênio à frente de uma das casas legislativas. É claro que se o social liberal perder para Fernando Haddad (PT), a pauta volta para gaveta.
Mas não será tudo que o provável futuro presidente mandar como projeto de lei que encontrará respaldo do Congresso Nacional. Alguns textos serão rejeitados, até por serem inconstitucionais, e será aí que a capacidade política de Bolsonaro deverá ser testada. Já é de conhecimento de todos que o ex-capitão não é muito chegado à democracia, e que a habilidade dele de lidar com diferenças pode ser comparada a de um peixe subindo em uma árvore. Resta para nós, brasileiros, tentar descobrir quanto tempo essa lua de mel irá durar até entrarmos em um
buraco novamente.