As discussões de ordem política que se instalaram em época pré-eleitoral, têm opostos os que se etiquetam de "direita" e "esquerda". Como se não se dessem conta que, ao término da "Guerra Fria", e conseqüente queda do "Muro de Berlim", as expressões soam ocas, eis que perderam as razões de existir; como se não se apercebessem que, os grandes países comunistas se transformaram em formidáveis centros capitalistas - vejam a China e a Rússia atuais-; como se não notassem que, vencidos os extremos, todos os caminhos convergem ao centro; os mal informados - e por vezes fanáticos, ou saudosos - partidários dessa ou daquela sigla, insistem na inócua discussão sobre as vertentes das agremiações.
Ressalte-se, no entanto, que dos discursos inapropriados, das ferozes liças que se travam, não há, sequer, uma linha que justifique o porquê dos debates, nem de passagem se define no que consiste a dualidade - esquerda x direita. Chegam-se, no embasar do pensamento, às mais teratológicas insinuações; invocam-se, por vezes, sem o mínimo conhecimento, Engels e Marx, posando-se de doutor sobre a matéria.
Embora relativamente acostumado com a falta de critérios que grassa nesse sentido, surpreendi-me, com pequena nota em jornal de grande tiragem, onde se afirma que generais da ativa, preocupados com o "esquerdismo" implantado no Itamaraty, citavam como exemplo a decisão da turma que se forma este ano, ter escolhido por patrona a vereadora carioca, Marielle Franco, cuja morte causou celeuma, e ainda não foi elucidada. Confesso que me senti aturdido, e, até certo ponto, preocupado.
Se adotar-se a filosofia de esquerda equivale a cumprir desígnios constitucionais de Estados democráticos de Direito; se ser "direitista", corresponde a se negar a livre escolha e a liberdade de pensar e se manifestar; se a eleição de homenageados, também ela, tem que passar pelo crivo dos censores de plantão, estamos, sem saber, a um passo do governo de força!
O uso de tão canhestro exemplo por oficiaiss eria risível, não fosse trágico!