No domingo que vem, milhões de brasileiros irão às urnas não apenas para escolher os futuros governantes, além de senadores e deputados, para os próximos quatro anos. Há um sentimento mais pessoal do que cívico na ação, que pode ser denominado como contravoto. É aquele voto que nega a opção do passado ou uma escolha que significa um gesto de protesto contra toda a classe política estabelecida na atualidade. Resumindo, é o voto contra e não a favor, que se distancia do racional e sensato.
Nesta condição, os dois principais concorrentes à Presidência da República, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), segundo os institutos de pesquisas mais confiáveis, enfrentam uma situação que tem se agravado nas últimas eleições: o crescimento do grau de rejeição. Pelo Ibope, em 26 de setembro, Bolsonaro tinha 44% e Haddad 27% de reprovação. Dois dias depois, o Datafolha publicou uma pesquisa que mostrou Bolsonaro com 46% e Haddad com 32% de rejeição. No domingo, os números divulgados pelo CNT/MDA são mais alarmantes: Bolsonaro é reprovado por 55,7% e Haddad por 48,3% dos eleitores.
Considerando que os entrevistados podem indicar mais de um nome na pesquisa, o que realmente acontece, a maioria das pessoas ouvidas não simpatiza com nenhuma opção. Não significa também que esse grupo é favorável aos outros candidatos postulantes ao cargo, que possuem igualmente altos índices de rejeição. Desta forma, o tal do contravoto é imperioso. O futuro presidente nem começou e já não agrada.
Muitos simpatizantes de Bolsonaro atribuem à escolha uma total aversão ao retorno do PT ao Palácio do Planalto, que inclui a extinção de uma classe política falida e de atitudes comprovadamente à margem da lei. Eles enxergam no militar essa alternativa mais viável. Por outro lado, ele representa, para outra grande parcela, o perigo da volta do militarismo de direita, autoritário e parcial, que traz embutida a ideia da ditadura. Na realidade, nenhum dos candidatos atuais conseguiu criar uma imagem de presidente de consenso.