Depois de uma eleição marcada por uma radicalização sem precedentes na história do nosso país, "habemus" um novo governo. Conforme vontade expressa e soberana dos eleitores brasileiros, o segundo turno da eleição presidencial concedeu ao candidato do PSL, Jair Bolsonaro, a condição de Presidente da República.
Oficialmente, o novo mandato se inicia em 1 de janeiro de 2019. No entanto, na prática o novo governante começa a se movimentar no sentido de formar sua equipe de governo. São grandes desafios políticos que precisam ser superados para se enfrentar os grandes desafios econômicos.
Principalmente pelo fato de termos atravessado todo o processo eleitoral absolutamente ausente de debate e bastante contaminado por uma enxurrada de fakes news. Havia, entre os analistas, uma expectativa muito grande em relação a algumas candidaturas de centro. Era esperado que o acirramento entre os extremos pudesse alavancar candidatos com um discurso mais conciliador. Não foi o que ocorreu. A intensa polarização deslocou, ainda no primeiro turno, esse eleitor para candidaturas do campo da esquerda e da direita. Com exceção aos candidatos Bolsonaro, Haddad e Ciro, todas as outras não cresceram ou se desidrataram durante o turno inicial.
O candidato eleito com 57.797.848 de votos teve parcela dessa votação creditada ao antipetismo. Já Haddad teve 47.040.904. A soma de votos brancos, nulos e de eleitores que se abstiveram de votar superou os 42 milhões. Esse dado não tira a legitimidade da vitória de Bolsonaro, mas é importante o governo não perder de vista que não teve o aval de quase 90 milhões de eleitores.
A construção da candidatura do presidente eleito se pautou pela desqualificação dos métodos políticos tradicionais. Agora presidente, Bolsonaro precisar compor um ministério e uma maioria no Congresso Nacional. Muito provavelmente seus passos serão seguidos de perto por parte de seus eleitores e por todos aqueles que nele não votaram.